Setembro Amarelo: Por que a Prevenção ao Suicídio Deve Ser uma Conversa Diária?

Chega setembro e a cor amarela ganha um destaque especial em laços de fita, posts em redes sociais e campanhas por todo o Brasil. O Setembro Amarelo é uma campanha fundamental que nos convida a falar abertamente sobre a prevenção ao suicídio, um tema que por muito tempo foi um tabu. E que bom que estamos falando sobre isso.

Duas pessoas em tons de amarelo e laranja, uma confortando a outra com as mãos sobre as suas, transmitindo apoio e calor.
A cor amarela como símbolo de esperança e o gesto de apoio em momentos de necessidade.

Mas a verdade é que a saúde mental não tem data marcada no calendário. A dor emocional não espera um mês específico para aparecer. Por isso, mais do que uma campanha anual, a prevenção ao suicídio precisa ser um compromisso diário, uma conversa regada com escuta, empatia, informação e, acima de tudo, muito acolhimento. Falar sobre isso é promover a vida.

Aviso importante: Este conteúdo é informativo e aborda um tema sensível. Se você está em sofrimento intenso ou conhece alguém que precisa de ajuda imediata, procure os canais de apoio no final do artigo.


Sinais de alerta: O que observar?

Muitas pessoas têm medo de perguntar ou de tocar no assunto, acreditando que podem “dar ideia” para alguém. Isso é um mito. Falar abertamente, com respeito e sem julgamentos, pode ser a primeira porta que se abre para o cuidado. O primeiro passo é aprender a observar os sinais. Não para ser um detetive, mas para ser um ponto de apoio.

Fique atento(a) a mudanças significativas e persistentes no comportamento de quem você ama:

  • Frases de alerta e desesperança: Preste muita atenção a frases como “Eu não aguento mais”, “Queria sumir”, “Vocês ficariam melhores sem mim” ou “Eu sou um peso para todos”. Leve qualquer menção ao desejo de morrer a sério.
  • Isolamento repentino: A pessoa se afasta dos amigos, da família e abandona atividades que antes lhe davam prazer.
  • Mudanças drásticas de humor: Períodos de profunda tristeza e apatia, irritabilidade excessiva, ou até mesmo uma calma súbita e “estranha” após uma fase de grande agitação.
  • Comportamentos de despedida: Organizar documentos, doar pertences de grande valor sentimental, escrever cartas ou mensagens se despedindo.
  • Descuido com a aparência e a saúde: Uma negligência visível com a higiene pessoal e a própria saúde.

Observar esses sinais não é julgar, é cuidar. É um chamado para que você se aproxime e ofereça sua presença.


A importância de criar uma rede de apoio

Uma das armas mais poderosas contra o desespero é a conexão. É a sensação de pertencimento, de saber que não se está sozinho no mundo. Ninguém precisa passar por um sofrimento profundo em silêncio. Criar uma rede de apoio é uma responsabilidade de todos nós.

E como você pode ser parte dessa rede?

  • Esteja presente: Ofereça sua companhia, mesmo que em silêncio.
  • Ouça com empatia: Escute de verdade, sem interromper, sem dar conselhos prontos ou frases como “pense positivo”. Apenas ouça para compreender a dor do outro.
  • Pergunte diretamente: Não tenha medo de perguntar: “Você está pensando em se machucar?”. Essa pergunta direta pode ser o convite que a pessoa precisava para se abrir.
  • Ofereça ajuda para buscar suporte: Ajude a pessoa a encontrar um profissional de saúde, a ligar para um centro de apoio ou a marcar uma consulta.

Você não precisa ter as respostas para tudo, mas sua presença e sua escuta podem fazer toda a diferença.


Como a terapia pode ser uma ferramenta de prevenção?

A terapia é um dos pilares mais importantes na prevenção ao suicídio. Ela não é apenas um lugar para ir durante uma crise aguda, mas um espaço seguro para cuidar da saúde mental de forma contínua, fortalecendo nossas bases emocionais para que possamos lidar melhor com as tempestades da vida.

No processo terapêutico, podemos:

  • Aprender a nomear e a lidar com as emoções: Entender o que sentimos e desenvolver ferramentas para não sermos dominados pela dor.
  • Processar traumas e dores do passado: Na Terapia de Reprocessamento Generativo (TRG), por exemplo, trabalhamos para encontrar e ressignificar as raízes do sofrimento, aliviando o peso que elas têm no presente.
  • Construir resiliência: Desenvolver a capacidade de enfrentar as adversidades da vida de forma mais saudável.
  • Encontrar novos sentidos e propósitos: Resgatar a esperança e a vontade de viver, um dia de cada vez.

A terapia é um espaço onde a vida é afirmada e onde a dor pode, finalmente, ser acolhida e transformada.


Falar é a melhor solução. Sempre.

A prevenção ao suicídio é um ato de amor que praticamos todos os dias: em uma mensagem para um amigo, em uma escuta atenta, na coragem de buscar ajuda para nós mesmos e para os outros.

Se você ou alguém que você conhece está precisando de ajuda imediata, não hesite. Ligue 188 para o CVV – Centro de Valorização da Vida. A ligação é gratuita, segura, e o serviço funciona 24 horas por dia, com total sigilo.

Para aqueles que buscam um caminho de cuidado contínuo, um espaço para construir resiliência e tratar as raízes do sofrimento, eu convido para uma conversa inicial de alinhamento. É um primeiro passo seguro, um lugar de escuta e acolhimento para entender como a terapia pode te ajudar a resgatar o brilho e a leveza de viver. Você não está sozinho(a).

Com carinho e cuidado,
Eliana Custódio,
Terapeuta Emocional

Aviso Ético: As informações contidas neste artigo têm caráter exclusivamente informativo e educacional. Elas não substituem, de forma alguma, a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento proposto por um profissional de saúde qualificado. Em caso de crise ou risco iminente, procure ajuda profissional imediatamente ligando para o CVV (188) ou para o SAMU (192).